Filosofia da Travessia

a passagem para a conquista de si 

 

Nasce um novo projeto em Campinas, Estado de São Paulo. Idealizado por Samuel Mendonça, ph. d., o Filosofia da Travessia é um conceito de prática e reflexão sobre os limites da vida humana. Com formação em filosofia (bacharelado, licenciatura, mestrado e doutorado em filosofia da educação (PUC Campinas e Unicamp)) e em artes marciais (tanglangquan/tonlongkuen/praying mantis system - linhagem de Li Da Chong/Lai Dat Chung, ph.d), Samuel Mendonça foi submetido a uma cirurgia de quadril e passou a ser estimulado pela equipe médica a nadar. Sem imaginar que se tratava de um novo ciclo em sua vida, decidiu participar de travessias em águas abertas. O sentido dessas experiências foi se transformando em um embrião de um projeto que agora se materializa por meio do conceito de Filosofia da Travessia.

 

Em que consiste o Filosofia da Travessia? Consiste em uma filosofia de vida que toma por base a prática de arte marcial para a autossuperação do que se é. E o que é que se é? É-se devir e nada além disto. O pressuposto deste conceito é a ideia de que as pessoas não são estanques e unitárias em suas ações e desejos, mas, são, justamente, constituídas de forças internas e contraditórias que devem ser intencionalmente orientadas para o benefício de cada um (a). As pessoas têm vontade de praticar esporte e de melhorar, de se alimentar bem e de dormir bem, mas, ao mesmo tempo, têm preguiça. O impulso de deixar tudo como está é a estagnação que leva à morte. Por meio do Filosofia da Travessia há estímulo ao movimento, pelo movimento, que gera deslocamento, devir, fluxo, vontade de mudar. Este é ponto segundo o qual se pratica arte marcial para a superação da preguiça, para a superação da estagnação, para a superação, em última instância, daquilo que degenera o humano, isto é, a ausência de movimento, a ausência de pulsão, a ausência de vida. Supera-se o que se é por meio da passagem, da travessia, do experimento que permite buscar-se a si mesmo, assumindo as mudanças necessárias e decorrentes desta busca.

 

Em seu mestrado, Samuel Mendonça estudou Heráclito (filósofo grego do período pré-socrático) e tamanha foi a marca que o pensador obscuro (Skoteinós - seu apelido) deixou em sua trajetória que o levou a estudar o pensamento de Friedrich Nietzsche (filósofo alemão do século XIX) no doutorado. Os escritos destes autores e de outros diversos propiciaram a compreensão de que a vida é devir, fluxo, deslocamento, movimento. Assim, nasceu o Filosofia da Travessia, concepção filosófica experimentada em diferentes estados brasileiros, que tem por propósito, por meio de ferramentas das artes marciais chinesas, gerar o esgotamento e a estafa, necessários para a mudança de estado de consciência, fundamentais para a autossuperação de si na busca do que se tem de melhor em cada um.

 

Não se trata, portanto, de aulas de arte marcial, apenas, mas, justamente de provocação de estados de consciência que propiciam a percepção do que cada um é, isto é, trata-se do experimento da vontade de potência (Der Will zur Macht) e possibilidade de autossuperação e de autocrítica, marcas da educação aristocrática, concebida por Samuel Mendonça. Em outras palavras, uma concepção de educação que busca a autocrítica e a autossuperação de cada um. Se alguém se define como fraco, como incapaz de criar e de produzir algo no mundo, o Filosofia da Travessia pode auxiliar na reformulação de acepções negativas de si para a proposição outra e nova vida. Por outro lado, se alguém se define como forte, como suficiente para a construção de sua obra, o Filosofia da Travessia auxilia na retomada de suas margens, de sua origem, para a contínua clareza do papel no mundo de cada um.

 

Não se trata de trabalho terapêutico, no sentido de utilização da "fala" para a expressão do que se é, mas, justamente, uma concepção filosófica que, por meio de movimentos do corpo, consegue expressar e superar limites para uma vida mais ativa, mais atenta, mais vivida intencionalmente.