Genealogia do sistema Louva-a-deus do Norte (Hong Kong/USA)

 

Quando se pratica arte marcial chinesa (Wu Shu, conhecido por Kung Fu, mas, a grafia oficial é Gong Fu), é comum a pergunta "quem é o seu professor/mestre"? Esta pergunta aparentemente ingênua que parece expressar apenas um tipo de "curiosidade" revela a busca por um tipo de informação que remete à "legitimidade" do que se pratica. Se o professor/mestre foi autorizado por outro professor/mestre, isto significa que se trata de alguém com "legitimidade" dentro de um sistema de arte marcial. Então, no fundo, ao perguntar "quem é o seu professor/mestre"?, busca-se saber a legitimidade do que se pratica. A legitimidade se estabelece, também, no papel do aprendiz. Sem o reconhecimento daquele que aprende, quem ensina sequer existe. De outro lado, quando se ensina sem que alguém legítimo tenha autorizado, isto não significa demérito nem do que se ensina e muito menos incapacidade de ensino. Portanto, ter legitimidade no mundo das artes marciais é muito importante, por certo, mas não é tudo.

 

Há quem tenha legitimidade, isto é, reconhecimento de algum professor/mestre que foi também autorizado a ensinar, no entanto, faltam-lhe outros aspectos também caros neste mundo da luta, como por exemplo, o respeito, a compreensão e o diálogo. É por isto que não se deve julgar quem, eventualmente, não tenha "legitimidade" do que se pratica, desde que o ambiente dialógico seja possível, desde que haja respeito entre as pessoas e, principalmente, desde que se tenha abertura à compreensão daquilo que se desconhece. É assim o entendimento dos nossos parceiros, de respeito absoluto às pessoas que nos procuram, sejam conhecedoras ou não de outras artes marciais. Aprendemos com todos, sempre, eis o nosso lema!

 

No caso do Louva-a-deus do Norte (nomenclatura utilizada pelo Grão-Mestre Wong Hon Fan em Hong Kong), a genealogia, que descreve a legitimidade daquilo que se pratica no Lai Kung Fu, pode ser assim visualizada:

 

Fundador - Wong Long (especialista em técnicas de espada)

2.a geração - Sing Siew (taoísta de origem desconhecida)

3.a geração - Lee Sarn Jin (até esta geração, praticava-se 3 ou 5 formas (Kai Uwe Pel, 2017)

4.a geração - Wong Wing Sang (provocou uma grande revolução tendo incorporado muitas formas ao sistema)

5.a geração - Fahn York Tung (recebeu o convite para ensinar na Jing Mo e indicou seu discípulo Law)

6.a geração - Law Gwong Yook (saiu de Shanghai para ensinar em Hong Kong)

7.a geração - Wong Hon Fan (o "rei" do Louva-a-deus de Hong Kong graduou 25 discípulos)

8.a geração - Brendan Lai (conhecido por "mãos de relâmpago" e pioneiro nos USA 

9.a geração - Samuel Mendonça ph. d. (inaugurou o Lai Kung Fu Brasil na presença de seu Mestre, em 1999)

10.a geração - Agnaldo Santana Almeida (SP) - Davi Carlos Brandão (RO) - Edson Delazeri Costantin (SP) - Fabrício Pires (RJ) - Guilherme Duzi (SP) - Jânio Lira (AC) - Kaue Ferro (SP) - Leo Rodrigues (SP) - Marcelo Gabriel Veloso (GO) - Sebastião Mendes de Souza (MG) - Walber da Silva (PA)

11.a geração - Daniel Franczak (MT) - Julio Araújo (PI)

 

Há outros instrutores autorizados a ensinar no Brasil pelo Lai Kung Fu, no entanto, estão legitimados justamente pelos graduados na Primeira Formatura de Instrutores, realizada em 2014, em Campinas.

 

Fontes: MENDONÇA, Samuel (org.) Brendan Lai: Praying Mantis System in Brasil. Campinas: Librum, 2014.

PEL, Kai Uwe. Luo Guang Yu Seven Star Praying Mantis Kung Fu, 2017.